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domingo, julho 12

férias

Julho é um mês ingrato. Lá, em especial. Chove o tempo todo, faz frio, até.

Quatro crianças naquela casa enorme, uma avó e um avô. E o desafio de entreter todos os confinados. Campeonatos de dama, muito buraco, War de dois. Quando o tempo ajuda e não faz um frio de doer os ossos, o passatempo é outro. Mais ousado e que consiste na construção de incríveis castelos-fortalezas, empreendimento feito com esmero pelos primos engenheiros. Não faltam fossos, pontes e barragens para impedir que as violentas marolas da praia de Barequeçaba não penetrem na érea construída.

Mas no inverno nem sempre o passatempo favorito, a praia, é possível.

É preciso inventar. Encontrar soluções. A questão é que elas sempre aparecem nos cérebros maquiavélicos e criativos de pequenos seres de pouco mais de um metrô, mas cheios de energia.

O futebol na lama era um deles. Não só porque o futebol, em si, na chuva, cheio de poças (pôças e póças, diga-se de passagem) d'água, era muito divertido, como para irrita-La. Aquelas duas pestes a enlouqueciam.

"Eu vou mandar sua filha de volta porque ela não tem mais roupa limpa! Ela não sai da chuva e já jogou futebol com todas as roupas! TODAS! Vai ficar pelada!", ligava Ela desesperada para o filho mais velho, que ria do outro lado da linha como quem se vinga anos depois.

Não agüentava a neta malcriada. Mas aquela criança, no alto dos seus 6, 7, tinha muita energia. E ali era o paraíso, o momento de liberdade total. Ali, com o único que a acompanhava nas sórdidas escapadas de lanterna à noite - e voltavam os dois correndo, apavorados com a própria imaginação e os barulhos dos sapos coaxando. Parceiros de todas as malcriações, cúmplices do melhor da infância. Uma dupla e tanto. Bonny and Clyde do litoral paulista.